Sunday, October 15, 2006


"We came from Seattle and bring the rain with us"

Com essa frase Warrel Dane trouxe a chuva para um festival que já estava pegando fogo. Em meio a glams, headbangers, metaleiros, sanduíches naturais, pãos de queijo, cerveja, refri, água e muitas, mas MUITAS camisetas pretas, o Metal se fez presente.

Após algumas horas cansativas - porém divertidas - de viagem, chegamos finalmente em São Paulo. Diferente do esperado, as bandas começaram no horário previsto. Massacration abriu o festival, fazendo rir e pular com eles todo o público que já estava ali. Logo após eles veio a primeira decepção do dia. A banda nacional Mindflow não agradou. Fugindo de suas origens "prog" e partindo para um caminho mais power no meio do show para tentar levantar a multidão, acabaram se perdendo nas músicas.

Os californianos do Gotthard entraram com tudo. Mesmo aqueles que não são fãs da banda puderam apreciar seu estilo. Com um front-man impecável e bons solos de guitarra, eles mandaram ver numa platéia que já não se aguentava mais esperando pela primeira grande atração.

Os alemães do Primal Fear que não vinham para o Brasil desde 2004 simplesmente deram um banho!!! Tocando suas músicas do CD "Seven Seals" (seu último trabalho) juntamente com as mais famosas da banda, fizeram o público pular e cantar insadecidamente.

Infelizmente devido à má vontade de meus companheiros e o não-gosto pela próxima banda - After Forever - acabei assistindo o show melódico de uma perspectiva diferente. Saímos do meio da multidão e, sentados, ouvimos a maravilhosa Floor se destacar com um vocal absurdo e presença de palco absolutamente inquestionável. Como eu costumo dizer, nós ainda nos casaremos.. É só uma questão de ela me conhecer. (hAIheoiuAHueAHOUIe)

A rainha do metal apareceu. Após uma apresentação esplendorosa do After Forever, Doro parecia decidida a superá-los. A alemã foi simplesmente impecável. Mostrou porquê tem o título de Rainha e fez o público ferver e pular com vários sucessos.
E então fica a disputa entre a mais linda do evento..
Floor














OUUUU

Doro















E então... o melhor show da noite. Nevermore entrou com tudo. Tocando 4 músicas do álbum Dead Heart in a Dead World e clássicos como "I, Voyager" Warrel Dane e seus comparsas da cidade do grunge - Seattle - mostrou que eles também produzem um ótimo metal.

Saindo dos USA e voltando para o Brasil.. SEPULTURA!! Com o gutural que lhes é peculiar e tudo que é de direito eles ARRASARAM com a Arena Skol. Ao som de "Arise", "Roots, Bloody Roots", "Troops of Doom" e outros sucessos da banda, Derrick Green, Andreas Kisser, Paulo Jr. e o novo baterista só não fizeram chover. Simplesmente fantástico. No primeiro bis do evento, a banda foi ovacionada. E na voz nada gentil do vocalista, confesso que ouvir "SEPULTURA, DO BRASIL!!" é de fazer os pêlos do braço arrepiarem.

A segunda decepção da noite se fez pela Atração Surpresa ter sido André Matos. Mesmo tendo tocado conhecidas músicas da sua época de Angra (Carry On e Nothing to Say) o brasuca não agradou e quebrou o clima da galera que vinha pirada para o próximo show.

Após uma longa pausa e alguns problemas técnicos com os microfones que fizeram o baterista Jörg Michael quase subir pelas paredes, pudemos ouvir o incrível de Stratovarius. Tocando músicas do álbum Destiny's Child em meio a outros sucessos como EagleHeart, os finlandeses conseguiram levantar um público que parecia já exausto depois de 12horas de Rock N' Roll e muito suor. Pra finalizar.. Black Diamond e vários "Obrigado, Brasil" no sotaque europeu.


E pra completar um dia perfeito...
David Lee Roth!!!!
Considerado um dos melhores Front-man do mundo, ele ainda conseguiu arrancar pulos, urros e gritos de "David!! David!!" da galera.

Ao som de composições próprias junto com outras de Van Halen, ele mostrou que ainda está em forma com vários de seus chutes no ar, milhares de roupas um tanto quanto exóticas e uma apresentação assaz!!!

E fim de festival, término de Live n' Louder, muito Rock N' Roll, muito suor, sujeira e gritos.
Mas cada gota disso tudo valeu à pena...

Até a próxima!!!!

Sunday, October 01, 2006

The Rapture - Pieces Of The People We Love

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Nota: 8.2

Crítica de: El Beatle Mexicano

Tão esperado sucessor do brilhante Echoes de 2003 que deu esperança aos indies na pista de dança com porradas discopunks como "House Of Jealous Lovers" e "I Need Your Love", o novo Pieces Of The People We Love continua mais ou menos essa linha, com um flerte maior ao funk motown dos anos 60 mas sem perder a cara predominante de uma 80's party. O disco conta com a produção de Danger Mouse, também Gorillaz e em alta devido ao sucesso de seu projeto Gnarls Barkley e é talvez o mais divertido do ano.
"Don Go Do It" abre anunciando o clima anos 80 com uma linha de baixo marcante e lembra um pouco Blondie. O hit do ano vem um pouco depois em "Get Myself Into It": o baixo funkeado e riff à-la Gang Of Four, o saxofone do refrão pegajoso, a letra cativante ajudada em muito aos belos vocais dão vida à fórmula que garante a execução exaustiva da música nas pistas. "First Gear" é uma intensa incursão mais eletrônica da banda, que lembra bastante LCD Soundsystem e à parte do ritmo sensacional, possui uma letra um tanto bobinha mas enfim perdoável.
"The Devil" é um típico punk-funk com traços de motown, cowbells, tecladões anos 80 e linha de baixo pesada. "Whoo Alright! Yeah... Uh-Huh" com esse nome estranho parece ter saído do disco Remain In Light dos Talking Heads, com um riff e percussão muito semelhante aos usados por David Byrne e sua banda no sensacional disco de 1980. No restante do álbum, "The Sound" se destaca pelo pegada punk/new wave bem característica e "Down For So Long" lembra bastante "Sister Saviour" no ritmo, apesar de não contar com a condução dos teclados de sua irmã.
Inserido nessa nova onda da New Rave, o Rapture atendeu bem às expectativas e o álbum é brilhante enquanto dançante, apenas enfraquecido por duas tentativas mais sérias da banda em músicas "lentas" como "Callin' Me" e "Live In Sunshine". Mas em suma, é um baita disco para ouvir e deixar o corpitcho chacoalhar.

Download: Pieces Of The People We Love

Saturday, September 30, 2006

Okkervil River

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O som é indie, com uma pegada folk e traços de alt-country. As letras são gritantemente íntimas, emotivas e por vezes, obscuras. E a voz de Will Sheff ecoa cortante como um último clamor de desespero. As comparações citam sempre Neutral Milk Hotel, Wilco, Bob Dylan e The Decemberists. A descrição do sexteto de Austin, Texas dá uma boa noção sobre o que esperar dos três já lançados discos. O último em especial, Black Sheep Boy (2005), é bastante melancólico e cria ao longo de suas faixas um clima um pouco operesco que dá um toque especial à sua audição. Destaque para For Real e So Come Back Here, I Am Waiting.

mp3: Song Of Our So-Called Friend
mp3: For Real

Sunday, September 24, 2006

Diário MOTOMIX - Parte 2

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Franz Ferdinand ao final do show: E tinha muita mina pagando pau pra esse magrela feioso aí!

E o tão esperado show começou. O público explodiu com os primeiros acordes de "This Boy" e logo a multidão começou aquele empurra-empurra característico onde tocar os pés no chão é algo meio raro. A banda, muito carismática, foi emendando hits como "Come On Home", "Auf Achse" e "Tell Her Tonight" até novamente fazer a felicidade do público com "Do You Want To" que fez todo mundo pular alucinadamente e cantar junto o grudento refrão. Em "Walk Away", Alex teve um contato mais "íntimo" com a platéia, que acompanhava-o nos versos apenas junto à seu violão. Depois ainda veio a nova L. Wells que empolgou bastante até aqueles que não a conheciam. "Michael" foi antecipada de um elogio de Alex às habilidades dançarinas do povo paulistano, quando comentou sua ida a uma casa noturna na noite anterior. Quando, brincando como público, Alex disse: "this is the last time we ever gonna play this song" todos já sabiam o que viria: Os primeiros acordes incendiaram as quase dez mil pessoas presentes e ninguém ficou parado com "Take Me Out". O ponto alto do show, a meu ver, foi "Jacqueline", provavelmente porque seja esta minha música favorita. Seu riff acelerado e sua linha de baixo marcante soaram mais fortes do que nunca ao vivo e, com o perdão da pieguice, pude sentir as vibrações dos acordes profundamente na minha alma.
Agora não me lembro em qual música, mas Nick até jogou o teclado para a platéia, o que foi bem engraçado. Paul ainda deixou a bateria para se arriscar na guitarra em uma das músicas e, até o encerramento com "This Fire", ainda viriam "The Dark Of The Matinee" e a incrível "Outsiders", que ao vivo se transforma quase num épico. A banda aproveitou essa música inclusive para chamar um fã para subir ao palco e pedir a ajuda do Art Brut e do Radio 4 para tocar os bumbos que deram um aspecto meio tribal à música. Quando os últimos acordes de "This Fire" ressoaram em nossos ouvidos a banda se despediu, jogando alguns presentes para a platéia (o tênis do Alex, baquetas) e uma, inclusive, passou perto das minhas mãos. Não rolou bis, mas a energia que já havia sido gasta em mais de uma hora de show já tinha sido equivalente por três horas de qualquer outro show. Naturalmente, ao final já estava absolutamente morto e precisava o quanto antes de água. Com a caixinha d'água custando 4 reais me obriguei a ir encher copinhos no banheiro e, meu Deus, nunca bebi tanta água.

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Radio 4: Os entusiastas que ainda sobraram no público do Motomix foram muito bem chamados, com certeza.

Já recuperado após ficar um tempinho sentado, o Radio 4 começou a sua apresentação com a casa um pouco mais esvaziada. Não conhecia muito o som da banda, havia ouvido apenas o excelente disco Gotham! de 2002, mas isso não me impediu de dançar e pular bastante aos riffs "gang of four-like" e as batidas da percussão. "Calling All Enthusiasts", o maior hit da banda, empolgou bastante os presentes e foi acompanhada com corinhos dispersos que seguiam a letra. Em "Dance To The Underground" a banda resolveu imitar o Franz e fazer uma confraternização sobre o palco chamando todas as demais bandas do festival pra darem uma ajudinha na percussão. Foi aonde o público mais se manifestou e dançou. O quinteto ainda tocou logo em seguida a saideira e saiu muito aplaudido pelo público. Eu, particularmente, gostei muito e confesso estar numa fase meio de "vício" no som deles escutando sempre no mp3 player.
Ainda haviam mais uns 2 ou 3 grupos de música eletrônica que se apresentariam na noite, ou melhor, na manhã já que chegávamos às 06 da manhã do domingo quando saímos do Espaço Das Américas. Fiquei um tanto desapontado por não ter visto o bauixista do New Order: Peter Hook, que fez seu DJ set apenas na tarde do Domingo no segundo dia do festival, mas tudo bem, não tinha do que reclamar após ter visto três shows incríveis. Tão logo cheguei à casa da minha amiga a cama foi muito bem vinda e o pensamento ficava nas lembranças do show e na sensação de sonho realizado. Ver o Franz no palco foi sem dúvida marcante, e as apresentações do Art Brut e Radio 4 só deixaram a noite mais perfeita e inesquecível.

TOP OF THE POPS!

Saturday, September 23, 2006

Diário MOTOMIX - Parte 1

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Sem dinheiro o suficiente e buscando coragem para enfrentar a "grande metrópole paulistana" pela primeira vez na vida me aventurei na busca de realizar um dos sonhos, digamos, musicais que possuía: ver Franz Ferdinand ao vivo. O ingresso já estava na mão e a ansiedade era muita já 3 dias antes da tão esperada apresentação.
Passei toda a noite da véspera dentro de um ônibus, não dormi mais que duas horas e o mp3 player tocava o disco "You Could Have It So Much Better" no repeat alternando às vezes com "Bang Bang Rock'n Roll" do Art Brut. Minha chegada à sampa se deu as 08:30 da manhã do sábado e após esperar um pouco encontrei minha amiga que iria me hospedar na capital. Ao vê-la, a notícia que eu menos imaginava ouvir e com certeza a que menos desejava veio: o show havia sido cancelado. Não preciso nem dizer o desespero que me tomou conta assim que soube disso, mas ainda faltava uma confirmação oficial e haviam boatos da realização do show em outro local, o que representava um resto de esperança ao qual podia me apegar.
À caminho da casa de minha amiga conheci o metrô, esse vislumbrante, confortável e revolucionário meio de transporte da vida moderna. Mas, elogios desnecessários à parte, vamos ao que interessa. Até as 14:00 se formou uma vigília em volta ao computador atualizando o site do Motomix de minuto a minuto até vir a confirmação que tanto aguardávamos: o show aconteceria sim na mesma hora e local. Logo corremos ao Espaço Das Américas para pegar a fila. Chegando lá por volta das 16:30 a concentração já era considerável e mesmo com chuva foi fácil aguardar as horas até a abertura dos portões às 21:00 socializando com os presentes e cantando alguns hinos da nossa cultura pop (i-lari-lari-ê, festa no apê, etc.). Rolou até entrevistinha para uma repórter d'O Estado De São Paulo.
Já lá dentro o lugar era bastante bonito. Era bem improvável que tudo fosse ao Via Funchal caso o show fosse realizado lá (como alguns boatos afirmavam durante o período de indefinição do festival). A primeira atração foram os vencedores do concurso cultural do Motomix. Duas duplas de DJs (que não fazem muito meu gosto mas até que agradaram) e um trio "pancadão" aos moldes de Bonde do Rolê e afins: indies sem muita capacidade criativa que fazem música auto-satírica; Uma bosta. Ao fecharem novamente as cortinas a minha expectativa era que os próximos a pisarem no palco fosse o Art Brut. Apesar de não ouvir roadie nenhum mexendo em contra-baixo até me animei o suficiente pra tentar puxar um "Art Brut, Top Of The Pops" que não teve aceitação nenhuma.

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Annie: Essa carinha de gulosa fica ainda melhor com os gemidinhos e os gritinhos no palco. Ui!

Enfim, para meu desapontamento, a atração da vez era a loirinha Annie da Noruega, que apesar de muito gostosa não agradou em nada aos ouvidos. Acompanhada de um DJ e um por vezes bateirista por outras guitarrista, seus gemidos ao fundo das batidas não ofereciam nada de interessante, e seu estado demonstrava certos indícios do uso da farinha mágica. Entorpecentes à parte, já não suportava mais aquele batidão constante por volta da quinta música e já estava contando os minutos para que a apresentação acabasse. Após 30 minutos ou mais finalmente as cortinas fechavam-se de novo para minha felicidade. Eddie Argos e sua turma já estavam à caminho.

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Argos imprimindo seriedade ao seu sarcasmo em Emily Kane: "When you're not with someone get through it! You're not meant to be with'em"

Ao ouvir o roadie tocar algumas notas no contra-baixo não consegui esconder minha emoção. Após muito "tunts-tunts" o bom e velho arroz com feijão rock and roll caía como salmão com caviar na mesa de qualquer um. E isso o Art Brut ofereceu de sobra. Como de costume Eddie conversou bastante com a platéia, soltou seus "obrigato", fez seu próprio "pocket show" de humor e a banda afinadíssima empolgou até nas músicas novas que não eram de conhecimento do grande público. Na saidera: "Good Weekend" fez a platéia enlouquecer e no coro lá pela metade da música, Argos soltava por entre os "Art Brut, Top Of The Pops" alguns "Sepultura, Top Of The Pops" e "CSS, Top Of The Pops", fazendo, lógico, sua moralzinha com o público local. O quinteto saiu ovacionado e deixou um gostinho de quero mais; A excelente "Fight" acabou fora do setlist mas os hits foram bem distribuídos ao longo do show.
As cortinas se fecharam novamente, e agora todos já sabiam que Alex Kapranos e sua turma estavam só há alguns minutinhos de pisarem no palco. O calor excessivo e o empurra-empurra fizeram vários fãs desmaiarem ou passarem mal antes que o show começasse, e eu, particularmente, não me encontrava em boa forma. Afinal o show do Art Brut havia acabado com minhas pernas e cordas vocais já de antemão. A expectativa era grande e uma abertura das cortinas mal-sucedida foi obscurecida alguns segundos depois por "Fake Tales Of San Francisco" do Arctic Monkeys no som ambiente. Mas depois era pra valer: as cortinas finalmente abriram ao som de "Fool" do Neutral Milk Hotel e banda adentrava ao palco. Os integrantes se cumprimentavam e confiantes começaram aquele que seria o melhor show na face da terra.

Continua...


mp3: Art Brut - Good Weekend
mp3: Art Brut - Moving To L.A.
mp3: Art Brut - Bang, Bang, Rock And Roll

Friday, September 22, 2006

Grizzly Bear - Yellow House

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Nota: 8.8

Crítica de: El Beatle Mexicano

"Sonhe como se fosse viver para sempre; Viva como se fosse morrer hoje." Talvez esse seja o pensamento seguido pela banda nova-iorquina Grizzly Bear na criação da atmosfera abstrata, sonhadora e ao mesmo tempo intensa, urgente que une as 10 faixas de seu segundo disco: Yellow House.
Fazendo parte da nova geração do folk norte-americano, o chamado "freak folk", o Grizzly Bear oferece nesse disco um algo mais que os diferencia dos outros vanguardistas do gênero como Animal Collective ou Devendra Banhart. Mais íntimo e elaborado, as melodias aqui, mesmo que as vezes desconexas, oferecem um maior detalhamento e instantaneidade. Adicione à isso as influências de lo-fi (o som que caracteriza o indie do começo dos anos 90) e algumas pitadas de post-rock.
Mesmo um pouco mais instantâneo ainda é um disco experimental e não é de fácil digestão. É preciso deixar as músicas se assentarem, criarem seu ninho em meio à tempestade dos desconexos pianos, banjos, violinos, da voz suspirante de Ed Droste.
O ambiente sonhador já captado nos primeiros ruídos e acordes de "Easier" setam o ritmo do restante do album: "Lullabye" cria tensão ao se transformar de uma leve música ao violão a uma brutal e chocante viagem em meio à guitarras distorcidas e baterias ecoantes. Como um sonho bom que logo se torna um pesadelo. "Knife" é delicada em contrapartida ao tópico agressivo e conta ainda com harmonias vocais "beach boynianas". Em "Central Remote" a banda tenta uma incursão um pouco mais épica e imprime uma progressão coesa ao som até as pontes e o refrão apocalíptico. O cortante violino de "Marla" tem a cobertura de uma estranha e descontínua bateria, como um confuso sonho nostálgico. O banjo, os slides e o violão "campestre" de "On A Neck, On A Spit" dão o ritmo "freak country" a canção e em momentos é interrompido por psicodelias cheias de distorções.
Assim como os produtos de nosso subconsciente, não há nada de constantemente suave ou constantemente perturbador em Yellow House, mas ao final da reverberante "Colorado" a sensação é simplesmente de se estar em um sonho bom e o desfecho do álbum funciona como o mais pacífico possível despertar de um sono tranqüilo.

mp3: Knife
mp3: On A Neck ,On A Spit


Em Breve: Diário do Motomix, Lily Allen: "I Feel Good And Fuck You" Pop Music, Okkervil River e review de Pieces Of The People We Love do The Rapture

Friday, September 01, 2006

E o título de melhor nome de banda do ano vai para...

JESUS H. CHRIST AND THE FOUR HORNSMEN OF THE APOCALYPSE

E como não bastasse tal nome, o sacrilégio se prolonga para a temática das músicas desse octeto nova-iorquino. Com vocais femininos que soam como se a cantora estivesse completamente bêbada e um típico power pop, as letras falam de sexo, viver na promiscuidade, ser cafajeste com sua namorada, se encher de boletas (calmantes), e sobre a vida de merda no Connecticut, entre outras coisas... Mas no fim, o som é absurdamente divertido.

mp3: Connecticut's For Fucking
mp3: Do Me
I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass!

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Esse é o sensacional título do novo disco do Yo La Tengo, uma das mais influentes e veteranas bandas no indie rock. Com lançamento previsto para as primeiras semanas desse mês, o disco já vazou no Soulseek e pessoas mais avisadas como eu já devem ter dado suas primeiras ouvidas nas musiquetas.
Creio eu que a música de abertura, Pass The Hatchet, I Think I'm Goodkind, funciona como uma auto-afirmação para o álbum, já que a banda começa mostrando que tá pronta para chutar alguns traseiros com uma distorção generalizada, poucas notas e um ritmo meio kraut-rock enquanto Kaplan disprende alguns solos e brinca com sua guitarra. Beanbag Chair, do contrário, é bem mais bobinha e twee, com harmonias vocais bonitinhas e uma gostosa levada no piano escoltada por trombones por entre os refrões. I Feel Like Going Home é uma música bastante bela com violinos e notas suaves. Duas músicas homônimas a composições do Fab Four (I Should've Known Better e Hapiness Is A Warm Gun) são outros dos destaques.

mp3: Beanbag Chair
mp3: Pass The Hatchet, I Think I'm Goodkind