Tuesday, August 29, 2006

TV On The Radio - Return To The Cookie Mountain

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A sensação do momento nos blogs, sites e revistas especializadas no mundo indie e na música é a banda nova-iorquina Tv On The Radio. Já aclamada pela crítica no lançamento do seu último EP, Young Liars de 2004, o quinteto retorna com o mais elogiado disco do ano até esta presente data.
Em seu terceiro LP, Return To The Cookie Mountain, a banda se apresenta no auge de seu vanguardismo com um som intenso, ambicioso e extremamente denso. Post-rock com traços de R&B, Reggae, Hip-Hop, Jazz, Electropop e mais uma infinidade de influências formando uma salada diferente de qualquer coisa que rola por aí.
Wolf Like Me, o primeiro single, tem uma linha de baixo forte e característica, que ao par do vocal empolgado de Tunde Adebimpe dá um ritmo dançante frenético à música. Mas ao mesmo tempo, riffs arrastados e sujos de guitarra mantém o experimentalismo progressivo impresso pela banda em seu trabalho. Já é um dos melhores singles do ano e figurinha certa nas baladinhas indie mundo afora de agora em diante.
No restante do disco, vocais gospel, tape loops, riffs distorcidos e progressivos assenteam o terreno para a construção de músicas como Hours e Province. Batidas mais complexas e eletrônicas ecoam na atmosfera espacial de Playhouses. Let The Devil In é um pegajoso trip-hop. Blues From Down Here é na minha opinião o destaque do disco, com um ritmo psicodélico, vanguardista e uma consistência firme, "amalgâmica".
Definitivamente, o trabalho mais original do ano e consistente do começo ao fim. A banda sabe experimentar muito bem as influências que possui e cria uma identidade sonora muito característica e eficiente.
O TV On The Radio é uma das bandas escaladas para tocar no Tim Festival 2006. A apresentação do quinteto acontece no dia 28 de outubro na edição carioca do Festival. A banda vai dividir o palco com os curitibanos do Bonde do Rolê e com o Thievery Corporation.

mp3: Wolf Like Me
mp3: Province
mp3: Playhouses

Depois desse breve review do Tv On The Radio algumas rapidinhas da sociedade índiocrática:

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- Pieces Of The People We Love é o título do aguardado novo disco da banda de pós-punk "barra" disco music The Rapture. E o primeiro single é bacanérrimo. Get Myself Into It é o tipo de música perfeita para deixar no repeat o dia inteiro, dançar feito um louco e cantar junto sem sentir vergonha.

mp3: Get Myself Into It

- Soulseekers de plantão já podem ficar ligados em The Crane Wife, disco dos Decemberists recém-saído do forno. Colin Meloy retorna com sua trupe em mais um fino trabalho de indie pop com traços épicos. Pra quem não conhece ainda a banda, fica a dica do disco Picaresque do ano passado que tem a sensacional 16 Military Wives, música esta de um dos melhores clipes que eu já vi:



- Você que sempre se perguntou de onde vinha o repentino sucesso de várias dessas bandas indie que parecem se multiplicar blog após blog e que sempre protagonizam um dos "hypes" em evidência como o Clap Your Hands Say Yeah ou o Arctic Monkeys agora já tem uma resposta: há um nome por trás de tudo isso. Clell Tickle, o marketeiro indigena. O vídeo abaixo documenta seu sucesso com seu mais recente cliente, a banda Tapes 'N Tapes.



- Por falar em Tapes 'N Tapes, a banda de Mineappolis está com single novo na praça. Cowbell, o segundo do disco The Loon. É uma rápida e agitada canção de tirar o fôlego com sua urgência. O vídeo já está disponível no site da gravadora XL, assista-o clicando aqui!

mp3: Cowbell

- O terceiro principal nome no Motomix em São paulo esse ano é a banda Radio 4. O quarteto de Nova Iorque faz um som dançante, animado, numa espécie de combinação entre Gang Of Four e LCD Soundsystem. Seu disco essencial é Gotham! de 2002. Abaixo algumas mp3 pra quem quiser conhecer:

mp3: Absolute Affimation
mp3: Save Our City

Sunday, August 27, 2006

"Say Hello To My Little Friend!"

Aproveitando toda a falação em torno do novo filme de Samuel L. Jackson: Snakes On A Plane, resolvi listar um pequeno time de artistas que assim como Samuel L.J. já interpretaram na telona personagens "motherfuckers" por essência ou simplesmente conseguiram imprimir a alguns destes a verdadeira encarnação do vermelho chifrudo lúcifer beuzebu.

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Samuel L. Jackson

É difícil pensar na figura de Samuel L. Jackson e não lembrar de Jules Winfield, o durão e eficiente capanga de Marcellus Wallace na obra-prima moderna de Tarantino: Pulp Fiction. Sua lendária citação de um trecho bíblico antes de assassinar três garotos logo no início do filme é extremamente subversiva e sua calma perante a dois inexperientes assaltantes na cena final mostra o peso de seus colhões.

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Julliete Lewis

Presença feminina da lista pela sua imediata co-relação com a personagem de Mallory Knox em Assassinos Por Natureza. O perturbante filme de Oliver Stone resume em Mallory a ira, a luxúria e a tentação do mal. E Lewis a encarna muito bem com sua inocência e sensualidade misturadas à loucura, sangue frio e sadismo.

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Al Pacino

Encarnando Michael Corleone em sua caminhada ao poder da máfia na trilogia O Poderoso Chefão, é notável a transformação que ele imprime ao personagem passando de um jovem militar a um sanguinário e inescrupuloso chefão que pouco se importa em mentir, blasfemar, trair e até matar o próprio irmão. Mas seu verdadeiro ápice como um "motherfucker" é no papel de Tony Montana em Scarface, interpretando a ascenção de um zé-ninguém cubano ao poderio do tráfico em Miami. A sequência final em que Montana absurdamente cheirado de coca é fuzilado segurando duas metrancas é inesquecível.

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Anthony Hopkins

Como Hannibal Lecter em O Silêncio Dos Inocentes, Hopkins conseguiu "encarnar o demônio" em seu ser. Maníaco, enigmático, subversivo, com esse papel Hopkins atormentou os sonhos de muita gente. O antropófago doutor conseguia ser o mais lúcido em sua loucura e intimidar com a mais fina classe qualquer um em seu caminho.

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Robert DeNiro

Primeiro como o jovem Vito Corleone e sua consolidação como o poderoso chefão da máfia. Depois no papel de Travis Bickle e sua loucura em construção no filme Taxi Driver. Mais tarde era o boxeador Jake LaMotta em Touro Indomável: uma pessoa difícil, de personalidade forte, poucos amigos e muita colhonice e intimidação. Outros papéis memoráveis incluem o psicopata Max Cady em Cape Fear e o mafioso durão Jimmy Conway em Goodfellas. DeNiro possui uma expressão única que resume com sua sagacidade e truculência a essência de um verdadeiro motherfucker.

Sunday, August 20, 2006

Don't Worry Baby!

"I'm picking up good vibrations, she's giving me excitations."

Ouvindo: Smile de Brian Wilson (2004)

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Ingresso na mão, porra! Estarei em São Paulo se Deus quiser no dia 16 de setembro para assistir dois dos melhores shows da atualidade. O badass Eddie Argos e seu carisma temperado com o mais puro sarcasmo inglês vem ao palco com sua banda, o Art Brut, que talvez façam o show mais energético e hilário do mundo. E mais tarde, Alex Kapranos e sua turma botam pra quebrar no que se espera ser uma apresentação memorável na segunda passagem do Franz Ferdinand pelo Brasil. Para aquecer, alguns vídeos que me deixaram com água na boca.





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Durante toda a última semana, a revista virtual mais odiada e mais lida pelos indies de plantão, Pitchfork, publicou uma lista especial com as 200 Melhores Músicas dos anos 60. Não sendo um bom conhecedor da música de tal década resolvi absorver o máximo possível das indicações. Acabei conhecendo várias coisas boas, algumas bandas pelas quais inclusive acabei me apaixonando. Um exemplo é o pop psicodélico do The Zombies. Formada em 1961 na Inglaterra por Rod Argent, a banda teve uma curta história e se dissolveu em 1967, pouco depois do lançamento daquele que seria considerado um dos melhores discos da década. Odessay And Oracle é uma das sementes da psicodelia pop, principalmente do gênero twee, e é influência para muitas bandas da atualidade como The Shins, Of Montreal, Belle & Sebastian. Com pianos, melodias ensolaradas e letras psicodélicas, é um disco essencial para qualquer amante do rock sessentista.

mp3: Care Of Cell 44


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O Pet Sounds do Beach Boys não sai do meu winamp/mp3 player ultimamente. E, como muitos outros discos fodas, cada vez que o escuto descubro um detalhe diferente. O gênio/louco/esquizofrênico Brian Wilson conseguiu com essa sua obra prima definitiva colocar a música pop muitos anos a frente do seu tempo e até hoje o disco parece atual. Doce, psicodélico, simples, ambicioso, melódico, complexo. Tão condraditório em seus detalhes que ainda consegue soar universal, onipresente. É um disco maravilhoso e não por menos influencia tanta gente até hoje. E Brian Wilson, não contente, se internou após o lançamento de tal disco para tentar atingir a perfeição com o projeto Smile, que acabou se tornando uma lenda até seu lançamento como um projeto solo em 2004. Seguindo a linha do single "Good Vibrations" de 1966, uma "sinfonia de bolso" dotada de efeitos do tipo tape loops e instrumentação apurada, ele queria ambiciosamente mesclar efeitos e arranjos que formariam a base para as canções principais do disco. A idéia pareceu muito estranha para os outros integrantes, o que gerou sérios atritos entre os membros da banda com Brian Wilson. Problemas com a gravadora também prejudicaram o seu lançamento. Ouvindo a conclusão do álbum feita por Brian Wilson a gente vê a profundidade daquilo que ele queria atingir. Um disco perfeito, dotado de detalhes e de inestimável valor para a música. Mais uma vez provando a genialidade de um esquizofrênico, maluco, depressivo, drogado como compositor.

mp3: God Only Knows
mp3: Good Vibrations
mp3: Roll Plymouth Rock