Saturday, September 23, 2006

Diário MOTOMIX - Parte 1

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Sem dinheiro o suficiente e buscando coragem para enfrentar a "grande metrópole paulistana" pela primeira vez na vida me aventurei na busca de realizar um dos sonhos, digamos, musicais que possuía: ver Franz Ferdinand ao vivo. O ingresso já estava na mão e a ansiedade era muita já 3 dias antes da tão esperada apresentação.
Passei toda a noite da véspera dentro de um ônibus, não dormi mais que duas horas e o mp3 player tocava o disco "You Could Have It So Much Better" no repeat alternando às vezes com "Bang Bang Rock'n Roll" do Art Brut. Minha chegada à sampa se deu as 08:30 da manhã do sábado e após esperar um pouco encontrei minha amiga que iria me hospedar na capital. Ao vê-la, a notícia que eu menos imaginava ouvir e com certeza a que menos desejava veio: o show havia sido cancelado. Não preciso nem dizer o desespero que me tomou conta assim que soube disso, mas ainda faltava uma confirmação oficial e haviam boatos da realização do show em outro local, o que representava um resto de esperança ao qual podia me apegar.
À caminho da casa de minha amiga conheci o metrô, esse vislumbrante, confortável e revolucionário meio de transporte da vida moderna. Mas, elogios desnecessários à parte, vamos ao que interessa. Até as 14:00 se formou uma vigília em volta ao computador atualizando o site do Motomix de minuto a minuto até vir a confirmação que tanto aguardávamos: o show aconteceria sim na mesma hora e local. Logo corremos ao Espaço Das Américas para pegar a fila. Chegando lá por volta das 16:30 a concentração já era considerável e mesmo com chuva foi fácil aguardar as horas até a abertura dos portões às 21:00 socializando com os presentes e cantando alguns hinos da nossa cultura pop (i-lari-lari-ê, festa no apê, etc.). Rolou até entrevistinha para uma repórter d'O Estado De São Paulo.
Já lá dentro o lugar era bastante bonito. Era bem improvável que tudo fosse ao Via Funchal caso o show fosse realizado lá (como alguns boatos afirmavam durante o período de indefinição do festival). A primeira atração foram os vencedores do concurso cultural do Motomix. Duas duplas de DJs (que não fazem muito meu gosto mas até que agradaram) e um trio "pancadão" aos moldes de Bonde do Rolê e afins: indies sem muita capacidade criativa que fazem música auto-satírica; Uma bosta. Ao fecharem novamente as cortinas a minha expectativa era que os próximos a pisarem no palco fosse o Art Brut. Apesar de não ouvir roadie nenhum mexendo em contra-baixo até me animei o suficiente pra tentar puxar um "Art Brut, Top Of The Pops" que não teve aceitação nenhuma.

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Annie: Essa carinha de gulosa fica ainda melhor com os gemidinhos e os gritinhos no palco. Ui!

Enfim, para meu desapontamento, a atração da vez era a loirinha Annie da Noruega, que apesar de muito gostosa não agradou em nada aos ouvidos. Acompanhada de um DJ e um por vezes bateirista por outras guitarrista, seus gemidos ao fundo das batidas não ofereciam nada de interessante, e seu estado demonstrava certos indícios do uso da farinha mágica. Entorpecentes à parte, já não suportava mais aquele batidão constante por volta da quinta música e já estava contando os minutos para que a apresentação acabasse. Após 30 minutos ou mais finalmente as cortinas fechavam-se de novo para minha felicidade. Eddie Argos e sua turma já estavam à caminho.

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Argos imprimindo seriedade ao seu sarcasmo em Emily Kane: "When you're not with someone get through it! You're not meant to be with'em"

Ao ouvir o roadie tocar algumas notas no contra-baixo não consegui esconder minha emoção. Após muito "tunts-tunts" o bom e velho arroz com feijão rock and roll caía como salmão com caviar na mesa de qualquer um. E isso o Art Brut ofereceu de sobra. Como de costume Eddie conversou bastante com a platéia, soltou seus "obrigato", fez seu próprio "pocket show" de humor e a banda afinadíssima empolgou até nas músicas novas que não eram de conhecimento do grande público. Na saidera: "Good Weekend" fez a platéia enlouquecer e no coro lá pela metade da música, Argos soltava por entre os "Art Brut, Top Of The Pops" alguns "Sepultura, Top Of The Pops" e "CSS, Top Of The Pops", fazendo, lógico, sua moralzinha com o público local. O quinteto saiu ovacionado e deixou um gostinho de quero mais; A excelente "Fight" acabou fora do setlist mas os hits foram bem distribuídos ao longo do show.
As cortinas se fecharam novamente, e agora todos já sabiam que Alex Kapranos e sua turma estavam só há alguns minutinhos de pisarem no palco. O calor excessivo e o empurra-empurra fizeram vários fãs desmaiarem ou passarem mal antes que o show começasse, e eu, particularmente, não me encontrava em boa forma. Afinal o show do Art Brut havia acabado com minhas pernas e cordas vocais já de antemão. A expectativa era grande e uma abertura das cortinas mal-sucedida foi obscurecida alguns segundos depois por "Fake Tales Of San Francisco" do Arctic Monkeys no som ambiente. Mas depois era pra valer: as cortinas finalmente abriram ao som de "Fool" do Neutral Milk Hotel e banda adentrava ao palco. Os integrantes se cumprimentavam e confiantes começaram aquele que seria o melhor show na face da terra.

Continua...


mp3: Art Brut - Good Weekend
mp3: Art Brut - Moving To L.A.
mp3: Art Brut - Bang, Bang, Rock And Roll

1 Comments:

Anonymous Iris said...

AAAAAH *--*
assim tu vai me deixar com depressão pós show! HAHAH
alias, eu adorei qndo tocou fake tales of san francisco no som ambiente. todo mundo cantou. será que ninguem que tava lá se tocou pra trazer eles? *--*

7:43 PM  

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