Friday, September 22, 2006

Grizzly Bear - Yellow House

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Nota: 8.8

Crítica de: El Beatle Mexicano

"Sonhe como se fosse viver para sempre; Viva como se fosse morrer hoje." Talvez esse seja o pensamento seguido pela banda nova-iorquina Grizzly Bear na criação da atmosfera abstrata, sonhadora e ao mesmo tempo intensa, urgente que une as 10 faixas de seu segundo disco: Yellow House.
Fazendo parte da nova geração do folk norte-americano, o chamado "freak folk", o Grizzly Bear oferece nesse disco um algo mais que os diferencia dos outros vanguardistas do gênero como Animal Collective ou Devendra Banhart. Mais íntimo e elaborado, as melodias aqui, mesmo que as vezes desconexas, oferecem um maior detalhamento e instantaneidade. Adicione à isso as influências de lo-fi (o som que caracteriza o indie do começo dos anos 90) e algumas pitadas de post-rock.
Mesmo um pouco mais instantâneo ainda é um disco experimental e não é de fácil digestão. É preciso deixar as músicas se assentarem, criarem seu ninho em meio à tempestade dos desconexos pianos, banjos, violinos, da voz suspirante de Ed Droste.
O ambiente sonhador já captado nos primeiros ruídos e acordes de "Easier" setam o ritmo do restante do album: "Lullabye" cria tensão ao se transformar de uma leve música ao violão a uma brutal e chocante viagem em meio à guitarras distorcidas e baterias ecoantes. Como um sonho bom que logo se torna um pesadelo. "Knife" é delicada em contrapartida ao tópico agressivo e conta ainda com harmonias vocais "beach boynianas". Em "Central Remote" a banda tenta uma incursão um pouco mais épica e imprime uma progressão coesa ao som até as pontes e o refrão apocalíptico. O cortante violino de "Marla" tem a cobertura de uma estranha e descontínua bateria, como um confuso sonho nostálgico. O banjo, os slides e o violão "campestre" de "On A Neck, On A Spit" dão o ritmo "freak country" a canção e em momentos é interrompido por psicodelias cheias de distorções.
Assim como os produtos de nosso subconsciente, não há nada de constantemente suave ou constantemente perturbador em Yellow House, mas ao final da reverberante "Colorado" a sensação é simplesmente de se estar em um sonho bom e o desfecho do álbum funciona como o mais pacífico possível despertar de um sono tranqüilo.

mp3: Knife
mp3: On A Neck ,On A Spit


Em Breve: Diário do Motomix, Lily Allen: "I Feel Good And Fuck You" Pop Music, Okkervil River e review de Pieces Of The People We Love do The Rapture

1 Comments:

Blogger Livio said...

to com medo desse ser só mais um hype pitchiforkiano furado (tapes n' tapes, alguém?).

baixei já. mas ouvir, deus sabe quando.

6:57 AM  

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